Quando se fala em foguetes, é fácil imaginar o mais recente lançamento da NASA ou os foguetes típicos da Guerra Fria. Mas você já parou pra se perguntar como tudo começou? Mais ainda, o que você diria se eu te contasse que costumavam usar foguetes como lançadores de espadas? E não, não é cenário de literatura steampunk.

O princípio da ação e reação, ideia por trás do funcionamento dos foguetes, já era conhecido há milhares de anos – foi possivelmente demonstrado por Arquitas, na Grécia Antiga, usando um pombo de argila e água. Entretanto, o uso militar deste tipo de tecnologia só começou mais tarde, com os chineses.

Depois de aprimorar o uso da pólvora e desenvolver os fogos de artifício, eles passaram a utilizá-la como meio propulsor no lançamento de flechas de fogo durante as batalhas. Ao invés de depender de arcos, a pólvora era colocada em tubos amarrados às flechas e acendida.

Uso de Foguetes em batalha na China

Charles Hubbell

Curiosamente, o formato destes tubos era semelhante ao dos foguetes atuais, com um nariz pontudo, o que eliminava a necessidade da ponta de seta tradicional. Até mesmo as penas – que antes imaginavam ter um efeito significativo na trajetória – foram removidas quando testes demonstraram que as flechas eram capazes de seguir em linha reta mesmo depois que estas se queimavam.  No fim das contas, eram até bem parecidos com aqueles dragões que o exército chinês usa em Mulan, excluindo as liberdades criativas da Disney, é claro.

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas onde estão as espadas voadoras?

Foguetes atados a espadas na Índia

Charles Hubbell

Elas apareceram muitos anos mais tarde, no século XVIII, durante as duas últimas guerras Anglo-Mysore. Nestes conflitos entre o Reino de Mysore e a Companhia das Índias Ocidentais, as tropas britânicas se depararam pela primeira vez com este tipo de tecnologia bélica. Em particular, os “foguetes” usados pelo exército de Mysore usavam tubos de aço para levar o propelente, tendo maior alcance e maior impulsão ao permitir maiores pressões na “câmara de combustão”. Além disso, eles eram combinados com varas de bambu e, em alguns casos, lâminas de aço, o que os tornava extremamente eficazes.

Curiosamente, o uso deste tipo de lâmina deixava o foguete extremamente instável ao fim de seu voo. Longe de ser um problema, este desequilíbrio provocava um efeito parecido com foices voadoras, eliminando tudo em seu caminho.

As experiências das tropas britânicas com os foguetes de Mysore levaram ao início do programa de desenvolvimento de foguetes por parte do Arsenal Real, que teve como grande trunfo os foguetes Congreve. Inclusive, são exatamente esses os referenciados na estrofe de abertura do hino nacional americano, “And the rockets’ red glare, the bombs bursting in air”, referenciando o uso britânico de Congreves no ataque ao Fort McHenry em 1814.

 

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