Na última semana de Abril, uma companhia chamada Planetary Resources anunciou em uma conferência em Seattle que estava planejando começar um projeto em mineração espacial. A ideia é interessantíssima de um ponto de vista teórico, mas afinal, será que explorar os recursos de corpos celestes – ainda que relativamente próximos à Terra – é mesmo possível?

 

Asteroides: O que são, de onde vieram, como se alimentam

Existem milhões de asteroides, mas uma boa parte deles – pelo menos na nossa região – se encontra no Cinturão de Asteroides, entre Marte e Vênus. Como estes variam absurdamente de tamanho, é comum classificá-los com base no seu espectro de emissão – ou seja, a partir da radiação emitida por um corpo, é possível inferir sua composição.

Os asteroides de tipo C são carbonáceos, os do tipo M são metálicos e os do tipo S são compostos de sílica. Apesar desta definição estar um pouco ultrapassada – nem todos os corpos do tipo M têm sua composição bem explicada, por exemplo – ela é suficiente para que possamos começar a pensar em como os diferentes tipos de asteroides afetariam a mineração espacial.

Com base em asteroides que já caíram na Terra, sabe-se que é possível encontrar certos materiais  valiosos, como platina, água e paládio. Curiosamente, a aplicação idealizada para a água não é o consumo na maneira como a maioria das pessoas imagina.

Quebrando o oxigênio e o hidrogênio que formam as moléculas de água, é possível criar combustível de foguete. Estima-se que um único asteroide com uma base aquosa seria suficiente para abastecer todo o programa do Ônibus Espacial.

Mais que isso, água também pode ser utilizada para criar um escudo contra radiação solar e, é claro, para beber. O que muita gente não costuma lembrar, é que é extremamente caro levar água para o espaço. Tirar meio litro de água da Terra custa aproximadamente dez mil dólares!

 

Mineração Espacial: Como fazer?

A ideia por trás da Planetary Resources é explorar não aqueles corpos no Cinturão de Asteroides, mas sim se aproveitar daqueles cujas órbitas passam perto da Terra – os chamados NEO. Apesar da maior parte da energia de uma missão do tipo ser gasta simplesmente para deixar o planeta, chegar a esses corpos ainda seria mais barato – de um ponto de vista energético – que um encontro com a Lua.

Segundo os executivos presentes na conferência de imprensa, eles planejam construir uma frota completa de espaçonaves não-tripuladas, indo de telescópios a robôs autônomos capazes de realizar todo o processo de mineração.

Nos casos de corpos menores, eles pretendem trazê-los até as proximidades da Terra, enquanto asteroides maiores seriam explorados em suas órbitas naturais e os recursos então enviados ao planeta ou armazenados em uma série de “depósitos” ao longo do Sistema Solar. Estas unidades poderiam ser, mais tarde, usadas por astronautas.

A primeira fase do projeto – lançar telescópios para angariar mais dados e decidir quais corpos merecem ser explorados, deve ser iniciada em dois anos. Para reduzir custos, eles pretendem pegar carona com satélites que já seriam lançados de qualquer maneira.

 

Mas e o…

Existe uma série de problemas técnicos quando se pensa em mineração espacial. Pousar em uma pedra gigante, rodando ainda que a velocidades relativamente pequenas, não é trivial. Além disso, não se sabe exatamente como a mineração afetaria certas propriedades, como a órbita do corpo celeste.

Obviamente, a Planetary Resources não entra em nenhum detalhe no que diz respeito a como ela pretende fazer o que se propõe, mas com financiadores como James Cameron,  Eric Anderson, Larry Page e Peter Diamandis, eu estou curiosa para saber no que vai dar.

Cenário de ficção científica? Definitivamente. Mas a geek em mim não está nem aí!

 

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