Katniss e Peeta

Contem spoilers.

Você já ouviu falar no Dilema do Prisioneiro?

É um clássico problema da Teoria dos Jogos proposto por Merrill M. FloodMelvin Dresher na década de 50, enquanto trabalhavam no RAND. Em sua versão clássica, pode ser descrito assim:

Imagine que você e outra pessoa foram presos, mas a polícia não tem evidências suficientes para condená-los. Depois de colocá-los em salas diferentes, os detetives oferecem o mesmo acordo para vocês dois: se um dos dois dizer a verdade enquanto o outro permanecer calado, o traidor será libertado enquanto o traído receberá uma pena de dez anos. Caso ambos fiquem em silêncio, os dois receberão uma pena leve, de um ano. Se os dois confessarem, a pena será de cinco anos. Considerando que você não sabe a decisão de seu cúmplice até fazer sua escolha, qual o melhor plano?

 

Talvez, neste momento, você esteja se perguntando: tudo muito bom, tudo muito bem, mas o que exatamente isso tem a ver com Jogos Vorazes? Bem, não é difícil perceber que Katniss e Peeta, enquanto na Arena, se encontram em uma situação bem semelhante a dos nossos amigos meliantes. Suas escolhas no que diz respeito às alianças durante os Jogos podem ser apresentadas em uma tabela de decisões que segue os mesmo padrões do Dilema do Prisioneiro. Olhe só:

Tabela de Decisão em Jogos Vorazes

O interessante é que, como pode ser visto acima, a melhor solução para o grupo é que ambos cooperem. Individualmente, porém, a traição é a única escolha lógica. Caso Katniss escolha realizar uma parceria com Peeta e este a trair, ela definitivamente morrerá. Ainda que ele concorde com a cooperação, existe apenas a possibilidade de sobrevivência, enquanto suas chances são muito maiores quando ela decide matá-lo.

Durante boa parte do livro, vemos Katniss adotar uma estratégia de auto-preservação. Ela tem certeza que Peeta pretende matá-la e, portanto, assume que a traição seja o melhor caminho. Já o rapaz, certo de que são dela as melhores chances, parece escolher uma parceria velada. A posição da protagonista só muda quando um novo incentivo é apresentado aos tributos: ambos definitivamente sobreviverão caso cooperem.

O interessante é que, assim como ocorre na Arena, o verdadeiro oponente do jogo são os criadores, e não os adversários. Como, John D. Williams disse uma vez, em meio a uma série de rodadas do Dilema do Prisioneiro, os dois “jogadores” não percebem que estão lutando contra uma terceira parte e não um contra o outro.

Como Diana Peterfreund afirma em seu ensaio - Hunger Game Theory – teoria dos jogos não é sobre jogos, no fim das contas. É sobre política, psicologia, estratégia. Guerra. Vida. Morte.

E que a sorte esteja sempre com você!

Quer saber mais?

O site Centives – principal fonte desde artigo e responsável por divertidas aplicações de teorias econômicas – também traz especulações sobre os custos do patrocínio nos Jogos e o número total da população de Panem (em inglês). Além disso, o ensaio de Diana Peterfreund é uma ótima pedida para quem se interessou pelo assunto. Você pode encontrá-lo no livro The Girl Who Was on Fire: Your Favorite Authors on Suzanne Collins’ Hunger Games Trilogy.

 

 

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