Capa do livro Throne of Glass

Autora: Sarah J. Maas| Editora: Bloomsbury| Ano: 2012

Throne of Glass tem uma história de origem interessante. Quando a autora Sarah J. Mass começou a escrevê-lo, mais de dez anos atrás, era um projeto no site FictionPress - praticamente um irmão do popular Fanfiction.net para ficção original. Naquela época, estava interessada em explorar uma outra vertente da história da Cinderela. E se, ao invés de uma pobre empregada com uma última noite de luxo no baile, ela fosse uma assassina e estivesse ali com a intenção de matar o Príncipe?

Em dias de Once Upon a Time, a verdade é que releituras estão na moda. Nós mesmas já cobrimos a história de uma Cinderela robô - e não precisam nem passar por estes links para saber que, nos dois casos, a responsável pelas resenhas sou eu. Adoro fantasia e contos de fada reimaginados e jamais poderia deixar passar algo com essa premissa.

Mas a verdade é que depois de tantos anos, não sobrou muito da ideia original em Celaena Sardothien, a heroína da obra. Assassina condenada a trabalhos forçados nas minas de sal de Endovier, a jovem é levada até o Dorian, o Príncipe Herdeiro. Ali, sua liberdade é oferecida em troca da vitória em uma competição pelo cargo de Assassino Real, a ser realizado em um castelo de vidro. Se a descrição soa um pouco como Jogos Vorazes, esta visão desaparece assim que os demais concorrentes começam a morrer um a um, aparentemente atacados por uma força sobrenatural.

Apesar de não ter um lado Cinderela tão exacerbado – ou talvez em função disso – Celaena é uma figura fascinante. Conhecida como a melhor e mais temida assassina do reino antes de seu encarceramento, ela tem traços de futilidade e egomania que acabam por torná-la mais humana quando unidos a suas habilidades quase incomparáveis no que diz respeito a técnicas de assassinato.

Já o triângulo amoroso do livro – porque é claro que, se tratando de um YA, temos um triângulo amoroso – é formado pela garota, o príncipe regente e Chaol, o Capitão da Guarda responsável pelo treinamento de Celaena e melhor amigo de Dorian. Por mais clichê que o grupo possa soar, este é na verdade um dos pontos positivos da obra. Criando personagens complexos, nem Celaena nem o leitor consegue se decidir facilmente por um dos dois e, mesmo que um dos caminhos seja trilhado ao fim do livro, é impossível saber se este é mesmo o objetivo final da autora.

Apesar de criar alguns personagens interessantíssimos – como a princesa Nehemia – o grande vilão e orquestrador da história é sugerido, mas só realmente clarificado nas últimas páginas de Throne of Glass e muitos dos antagonistas são simplesmente inseridos como maneira de dar continuidade à trama. Como o plano inicial é contar a história de Sardothien por meio de uma trilogia, muitos dos fios são colocados ali com o mero propósito de serem retomados no futuro, o que torna a narrativa truncada e mal explicada em certos momentos.

Os elementos de horror, aparentemente ligados à origem de Celaena, não funcionam tão bem quanto a autora gostaria e acabam interrompendo o fluxo da história e, sinceramente, me irritando um pouco. Além disso, o mundo criado por Maas, apesar de promissor, é mal aproveitado, nunca alcançando seu potencial neste capítulo de abertura.

De qualquer maneira, mal posso esperar pelo ano que vem, quando o próximo volume da série finalmente me dirá se minhas suspeitas sobre a garota estavam corretas. Por mais que eu ache que o destino – e o passado – da assassina é um tanto quanto óbvio, adoraria ser surpreendida.

E você? Já leu Throne of Glass? Gostaria de ler? Conta pra gente!

Rating: ★★★½☆

PS: Em uma estratégia de marketing interessante, a autora lançou quatro novelas em formato e-book contando parte da história de Sardothien durante seu treinamento até o encarceramento e, por US$ 0.99, são bem divertidas. A minha favorita é provavelmente The Assassin and the Desert, mas as quatro prequels valem a leitura.

 

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