How-To Issue

Em tempos de igualdade entre os sexos, a escritora e livreira Molly Templeton se surpreendeu ao encarar a publicação do dia 29 de julho do New York Times Book Review. Chamada de How-To Issue – ou “Edição do Como” – , trazia na capa artigos na mais vasta gama de assuntos. Entretanto, dentre os oito textos disponíveis, apenas dois eram escritos por mulheres.

Tudo bem, nós poderíamos alegar, a disparidade não é assim tão surpreendente. Afinal, dos 108 ganhadores do Prêmio Nobel de Literatura, apenas 12 eram mulheres. Não, o que realmente surpreende é que, enquanto Garry Wills escreve sobre “como ganhar uma eleição”, Judith Warner nos ensine “como criar nossos filhos” e, poucas páginas depois de Colson Whitehead explicar ao leitor “como escrever”, sejamos agraciados com Kate Christensen e “como cozinhar amêijoas”.

O manejo correto de amêijoas, é claro, é extremamente importante e não deve ser ignorado mas, mesmo com contribuições masculinas que poderiam parecer domésticas – como apontar um lápis, por exemplo, é uma arte quase perdida – Molly estava ligeiramente ofendida. Em um email a amigos e colegas da indústria, ela disse:

“Aquela capa fez-me sentir como em um túnel do tempo. Não há nada errado com culinária ou criação de filhos; existem muitas coisas certas e maravilhosas nestes propósitos. Existem também, como sei que não preciso dizer, tarefas tradicionalmente femininas e, quando se leva em consideração estatísticas da VIDA e o histórico de desequilíbrio entre os sexos na literatura, jornalismo e no mundo em geral, você pode se sentir um pouco frustrado por estarmos em 20-****-12 e ainda sermos frequentemente relegados a escrever sobre temas tão específicos de certo gênero.”

 

Mas não só de reclamações genéricas sobre o estado da indústria literária no século 21 vivia o email de Templeton. Tentando fazer algo para remediar a situação, ela pedia contribuições para uma própria “Edição do Como” e, em poucas horas, surgiu o tumblr How-To Issue.

Em inglês, o blog recebeu contribuições das mais variadas vertentes, indo de “como sobreviver um dia de trabalho de 16 horas” a “como ler em público”, passando, sim, por tópicos domésticos. A ideia por trás do tumblr não é negar a importância destes assuntos nem proclamar-se o novo mensageiro do ideal feminista. Quer, simplesmente, demonstrar a liberdade de mulheres – e, como explicitado pela autora, pessoas que não se identificam em nenhum gênero específico – para escrever e dar conselhos em qualquer tópico que elas bem entendam.

A julgar pelos mais de 75 textos que Molly Templetom já recebeu para o How-To Issue – como disse em sua entrevista ao The Atlantic Wire – elas têm muito a dizer.

Ficou curioso? Não se preocupe. Trazemos aqui um 4+2 com um pouco do que te espera.

4+2 Textos que Você Deve Conferir no How-To Issue

 

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