Imagem promocional de Game of Thrones - HBO

Show: Game of Thrones | Episódio: Valar Morghulis – S02E10 | Roteiro: David Benioff e D.B. Weiss | Direção: Alan Taylor | Elenco: Peter Dinklage, Emilia Clarke, Stephen Dillane | Ano: 2012

 

No review anterior, eu havia dito que dificilmente algum episódio poderia superar Blackwater, que foi totalmente centrado na batalha em Porto Real.

Realmente, em termos de ação, o finale Valar Morghulis não passou nem perto de superá-lo. Mas levando-se em conta a narrativa, me pareceu bem melhor: conseguiu amarrar algumas tramas que estavam soltas e serviu como prólogo para o que veremos na terceira temporada.

Suas adições e revelações me deixaram muito mais presa à tela que qualquer sequência de guerra. Por tudo isso, o finale superou minhas expectativas.

Novamente, os roteiristas optaram por não seguir a linearidade do livro. Em vez disso, reformularam algumas passagens antigas e acrescentaram algumas novas que sequer são retratadas em Fúria dos Reis. O resultado foi um desfecho bem diferente daquele que lemos, mas nem por isso menos épico e surpreendente.

As surpresas começam logo no início, quando vemos Tyrion acamado. O anão – que no livro recebeu um ferimento muito grotesco – acorda de uma tentativa de assassinato com uma expressiva cicatriz no rosto. Apesar de todos os seus esforços para defender a cidade, não recebeu nenhum reconhecimento e foi deixado completamente de lado. É nesta posição totalmente nova e sem poder que ele recebe o apoio sutil de Varys e o carinho sincero de Shae. Esta, por sua vez, se mostra muito menos fútil que no livro, fazendo-nos torcer pelo romance entre os dois.

Ao ganhar a batalha contra Stannis e ser derrotado pela própria irmã, Tyrion foi substituído por Tywin Lannister, agora Mão do Rei. Esta parte é encenada fielmente – com direito a cavalo fazendo sujeira no castelo e tudo mais. Mas o que mais impressiona não é a fidelidade e sim o rumo de Sansa. Por conselho do seu avô, Joffrey abre mão do seu noivado com a Stark para ficar com a Margaery, que se coloca de forma magistral no papel de prometida do rei e abre caminho para uma interessante estratégia política com os Tyrell.

Sophie Turner como Santa Stark - Valar Morghulis

Livre da aliança, Sansa solta um riso de alívio, mas logo em seguida é surpreendida por Mindinho, que se oferece para ajudá-la a voltar para casa. Mais uma vez, ela recusa. Eu fico me perguntando qual é o problema desta moça. Sério, mesmo que Winterfell tenha sido tomada e destruída, ainda é melhor que Porto Real com todas as suas víboras.

E por falar no Norte, entre as muralhas do castelo Theon Greyjoy se vê cercado por todos os lados. É nessa situação que Alfie Allen assume de forma incrível a dualidade do seu personagem, que apesar de se esforçar para ser um líder cruel como os homens de ferro, de certa forma é um jovem inseguro e apegado à terra em que foi criado.

No desespero, ele se abre com Meistre Luwin e quase se entrega à Patrulha da Noite. Entretanto, inconstante como é, decide seguir adiante e incitar seu “exército” de meia dúzia à batalha que poderia ser dada como perdida. Seu discurso patético de heroísmo – encerrando com uma pancada na cabeça por parte de seus homens – rende uma das cenas mais hilárias de toda a série. Infelizmente, antes que fosse parado, Theon fez estragos sem precedentes, levando Bran e Rickon ao exílio.

Já nas Terras Fluviais, Brienne e Jaime começam a formar uma interessante dinâmica. Enquanto isso, Robb se casa com Talisa mesmo com toda a reprovação da mãe. Apesar do casal formar um par interessante, não nos deixa tão paralisados quanto Stannis e Melisandre. Convencido de que perdeu a guerra, o Baratheon volta a acreditar numa vitória futura sob os feitiços da Sacerdotisa Vermelha. “Esta guerra apenas começou” – e deve ter mais peças no jogo pelo trono.

Emilia Clarke como Daenerys Targaryen - Valar Morghulis

Uma delas é Daenerys Targaryen. A Filha da Tormenta vai atrás de seus “filhos” na Casa dos Imortais, ganhando o destaque que merecia. Transpor para as telas essa passagem que no livro tem inúmeras referências, poderia resultar em uma sequência super confusa. Felizmente, os roteiristas optaram por algo mais simples, porém dramático. Trouxeram de volta Drogo, que contracenou numa cena tocante com Dany. Mais emocionante que isso foi vê-la se vingando de Pyat Pree e Xaro Xhoan Daxos junto a seus dragões.

Cabe aqui elogiar os roteiristas que conseguiram dar importância a Daenerys, cuja participação foi muito sutil em A Fúria dos Reis. Aproveitando-se da passagem dela em Qarth, eles proporcionaram um crescimento para a personagem – algo que não acontece no livro.

Outro aspecto que merece ser elogiado é a adaptação do arco de Arya. Eles conseguiram condensar muito bem sua história sem prejudicar a essência.

Tom Wlaschiha como Jaqen H'ghar - Valar Morghulis

É uma pena que eu não possa dizer o mesmo do arco de Jon Snow. Para lá da Muralha, Qhorin Meia-Mão teve um fim repentino nas mãos do bastardo. Sem evidenciar que a morte foi planejada, criou-se uma imagem errônea de seu personagem.

Pelo menos acertaram em algo: a atmosfera fantasiosa cada vez mais presente na saga. Além de dragões e sombras, agora temos os Outros em cena.

Os Outros - Valar Morghulis

Game of Thrones meets The Walking Dead

 

Com este cliffhanger de tirar o fôlego, não resta dúvidas: o inverno está chegando e é melhor se preparar para a Tormenta – a tormenta de um ano sem o seriado.

 

Curiosidades sobre Valar Morghulis:

• “Valar Morghulis” é uma saudação comum em Braavos, que em alto valiriano significa “todos os homens devem morrer”. Seu sentido mais preciso é que todo homem, cedo ou tarde, deve eventualmente morrer – algo similar à expressão em latim “memento mori“. A resposta esperada é “Valar Dohaeris” – “todos os homens devem servir.”

• Para conseguir resolver o plot, o episódio tem 10 minutos a mais que o usual.

 

Rating: ★★★★★

 

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